Não se explica como nasce o amor, mas é impossível negar que, como o tempo, ele pode estar sempre pronto para nos preparar surpresas agradáveis, doloridas, felizes, duras, fascinantes muitas vezes, sofridas outras tantas. Imagino que o amor e o tempo são cumplices que ficam juntos, noite adentro, escrevendo nossos sonhos, desenhando nossos caminhos, colorindo nossas paisagens, traçando nossos destinos, projetando nossa história de vida.

Afinal quem traça tantas retas para o encontro de tantos olhares? Quem sopra o vento perfumado de tantos sorrisos, que viram beijos, desejos, paixões avassaladoras? Acredito que todos os romances são planejados no meio das noites, pelas mãos do tempo e pelos corações corajosos, que sem temer as tempestades afetivas que o amor pode causar, costuram nos começos das manhãs os delírios de tantos corpos unidos numa madrugada de abraços, de caricias, de apaixonantes confidências.
E quem de nós terá coragem de fugir dos encantos do amor, de suas emboscadas, de suas fantasias? Quem desistirá dos seus prazeres, mesmo sabendo, que como o tempo, ele poderá ter tantas estações distintas. Se sabemos que amor e o tempo nascem e florescem na primavera, quem de nós ficará a se preocupar, com a dureza do inverno do desamor que um dia poderá afetar nossas almas. Porquê sofrer com tanta antecedência se ainda temos pela frente o ardor de todo o verão e a poesia cinza de todo o outono para nos enfeitar a vida, para nos distanciar do sofrimento?
Quem deixará de arriscar o colorido da primavera que incendeia a terra dos desejos, por temer que o inverno congele nossos sonhos, nossos prazeres, nossa ânsia de caminhar pelas macias estradas da carne.? É claro que temos a consciência que o amor pode nos ferir nas esquinas traiçoeiras da vida. Quem, todavia, deixará de usufruir o azul profundo de um calmo oceano temendo que surjam tempestades pela proa?
Se somos ousados o suficiente para enfrentar as incertezas de todas as estações do tempo, da vida, é lógico que bravamente não permitiremos que os segredos e os mistérios do amor nos afaste das festas dos corações, dos bailes encantados onde flutuam nossas almas ardentes de paixão.
Temer o amor com receio de ser atingido pelo desencanto, é conflitante como temer o andar do tempo. Se nos atemoriza a insipidez de uma paisagem de inverno, logo nos acariciará os olhos o esplendor da primavera. Se o desamor nos pegar, mudemos de estação.
O amor se reparte em fatias. Se não mais estamos sentindo a inclemência do verão, é porque nosso coração já deu um passo a frente, já caminha entre as folhas secas do outono, já sente, sem medo, os primeiros ventos frios que anunciam um período de solidão. Mas, se nos atemoriza a possibilidade de ficarmos sós é sinal que um novo amor se aproxima. É tempo de ver que nossos corações valentes saberão ultrapassar todos os obstáculos da vida e nos farão entender que o amor não pode ser calmo, tem que ser vibrante. Não pode ser lento, tem que ter pressa. Não pode ser passivo, tem que ser audaz. Não pode só ceder, tem que exigir o beijo mais ardente.
Assim como as estações são as janelas do tempo, nossos atos ousados em busca do amor são como os caminhos das estrelas extasiando de luzes as fantasias e as verdades das nossas vidas.